Você conhece aquela sensação frustrante de olhar para o seu teclado mecânico caro e notar que as teclas — principalmente o WASD e a barra de espaço — ganharam um brilho oleoso permanente? Eu me lembro perfeitamente de quando isso aconteceu com meu primeiro teclado mecânico. Ele parecia incrível na primeira semana, mas, após três meses de uso intenso, parecia que eu havia comido frango frito em cima dele, mesmo limpando o periférico religiosamente.
Neste artigo sobre keycaps ABS vs PBT, vou detalhar as diferenças cruciais de durabilidade, textura e perfil sonoro entre esses dois materiais. Se você está em dúvida sobre qual upgrade fará seu teclado durar mais ou soar melhor, aqui está a resposta definitiva.
O que eu não sabia na época é que aquele “efeito espelho” não era apenas sujeira, mas sim o polimento natural do plástico ABS, que equipa a grande maioria dos teclados comerciais. É uma realidade que frustra muitos entusiastas: investimos pesado em switches e cases, mas negligenciamos o único componente que nossos dedos realmente tocam o tempo todo.

Após testar dezenas de conjuntos diferentes ao longo dos últimos anos, desde os renomados sets GMK até kits PBT de entrada, aprendi na prática como a escolha do material impacta não apenas a estética, mas também o som e a sensação tátil de cada clique. Analisei a fundo as especificações e o comportamento dos materiais a longo prazo para separar o marketing da realidade.
Neste artigo sobre keycaps ABS vs PBT, vou detalhar as diferenças cruciais de durabilidade, textura e perfil sonoro entre esses dois materiais. Se você está em dúvida sobre qual upgrade fará seu teclado durar mais ou soar melhor, aqui está a resposta definitiva.
O que é ABS e PBT? Diferenças Técnicas
Para entender por que suas teclas mudam com o tempo, precisamos olhar para a química por trás delas. Não se preocupe, não será uma aula chata de ciências, mas sim o essencial para você saber onde está colocando seu dinheiro.
ABS (Acrilonitrila Butadieno Estireno)
Pense no ABS como o plástico dos blocos de LEGO. É um material leve, levemente flexível e muito fácil de moldar. Por ser barato e aceitar cores vibrantes com facilidade, é o padrão da indústria. A grande maioria dos teclados que você compra prontos (da Razer, Corsair, Logitech) vem com keycaps em ABS.
- A falha: Ele reage com a oleosidade dos dedos e sofre abrasão facilmente. Aquele “brilho” é, literalmente, o plástico sendo lixado pelas suas digitais.
PBT (Polibutileno Tereftalato)
O PBT é o “tanque de guerra” dos plásticos. Ele é mais rígido, denso e consideravelmente mais difícil de moldar durante a fabricação. Ao segurar uma tecla de PBT, você sente imediatamente que ela é mais pesada e sólida.
- A vantagem: Resistência química e térmica. Ele não fica polido com o atrito dos dedos, mantendo a textura original por anos.
Para mais detalhes técnicos sobre a composição, você pode consultar a página sobre Polibutileno Tereftalato na Wikipedia.
Double-shot vs Dye-sub
Além do material, o processo de fabricação define a longevidade das letras:
- Double-shot (Injeção Dupla): Duas camadas de plástico são fundidas. A letra é um plástico físico, não tinta. Nunca apaga. Comum em ABS de alta qualidade e PBT moderno.
- Dye-sub (Sublimação): A tinta é absorvida pelo plástico sob calor intenso, como uma tatuagem. Muito comum em PBT para permitir fontes escuras em teclas claras.
Comparativo: Sensação, Som e Aparência
Aqui é onde a teoria encontra a prática. Ao trocar as keycaps originais do meu teclado por um conjunto PBT pela primeira vez, a mudança foi drástica, não sutil.
Sensação Tátil
Tocar em uma tecla ABS é como tocar em um vidro liso ou uma peça de LEGO polida. Os dedos deslizam facilmente. Para alguns, isso passa uma sensação de “barato” ou pegajoso, especialmente em dias quentes.
Já o PBT tem uma textura arenosa, levemente rugosa. Lembra a sensação de tocar em uma folha de papel de alta gramatura ou pedra polida fosca. Isso oferece uma aderência superior (grip) que é excelente para gamers que suam durante as partidas. Seus dedos ficam firmes no lugar.

Perfil Sonoro: Clack vs Thock
O som é o “santo graal” dos entusiastas. Devido à densidade diferente, o som muda:
Característica | ABS | PBT |
|---|---|---|
Tipo de Som | Agudo, estalado (“Clack”) | Grave, profundo (“Thock”) |
Ressonância | Maior eco, som mais “oco” | Som seco e curto |
Vibrância das Cores
Historicamente, o ABS vencia aqui. Como o PBT encolhe muito ao esfriar no molde, era difícil fazer keycaps coloridas complexas sem elas empenarem. Por isso, sets lendários e caríssimos como os da GMK ainda usam ABS: as cores são mais vivas e precisas. Porém, o PBT moderno evoluiu muito e hoje já entrega cores fantásticas, embora os tons pastéis ainda sejam sua marca registrada.
Teste Real: Minha Experiência Após 1 Ano de Uso
Para validar a durabilidade, fiz um teste prático. Usei um conjunto de keycaps ABS padrão (que veio em um teclado mecânico popular de entrada) e um conjunto PBT Double-shot aftermarket em teclados diferentes que utilizo rotineiramente.
Mês 1 a 3:
No início, ambos eram ótimos. Porém, por volta da oitava semana, notei o “brilho” aparecendo na barra de espaço do teclado com ABS. Era sutil, visível apenas contra a luz, mas estava lá. O PBT continuava com a mesma textura seca de quando saiu da caixa.
Mês 6:
A diferença de som tornou-se notável. O teclado ABS começou a soar mais “fino” e barulhento, possivelmente pelo desgaste da superfície que alterou a acústica do impacto. O PBT manteve aquele som grave e satisfatório (o famoso “thock”). Na digitação longa, o PBT se mostrou menos cansativo para a ponta dos dedos, pois a textura evita que o dedo escorregue e bata na borda da tecla vizinha.

Após 1 Ano:
O veredito visual é incontestável. As teclas ABS parecem “gordurosas” mesmo estando limpas; o plástico foi polido fisicamente. As teclas PBT, incrivelmente, parecem novas. A única manutenção necessária foi limpar a poeira entre os switches.
Minha preferência: Para trabalhar e digitar textos longos (como este), o PBT é imbatível. A sensação seca e segura é conforto puro. Para jogos, a aderência também ajuda, embora alguns pro-players de FPS ainda prefiram ABS pela leveza e facilidade de deslizar entre teclas rapidamente.
Prós e Contras: ABS vs PBT
Se você está pensando em investir em um novo set de keycaps, aqui está um resumo honesto para guiar sua decisão, focado principalmente nas diferenças que você sentirá no dia a dia.
✅ Prós do PBT (Upgrade)
- Durabilidade Extrema: Não desenvolve o brilho oleoso (shine) mesmo após anos de uso.
- Som Superior: Tende a oferecer um som mais grave e sólido, preferido por entusiastas.
- Textura Agradável: Superfície granulada oferece melhor aderência e sensação de qualidade.
- Resistência Térmica: Não deforma facilmente com calor.
❌ Contras / Vantagens do ABS
- Preço: Sets de PBT de boa qualidade (Double-shot) geralmente são mais caros.
- Empenamento: A barra de espaço em PBT pode vir levemente torta (warping) em kits baratos.
- Cores do ABS: O ABS ainda permite cores mais vibrantes e consistentes (ex: sets GMK).
- Som: Alguns preferem o som mais agudo (“clack”) do ABS.
Guia de Compra: Qual Material Escolher?
Ainda em dúvida? Vamos simplificar baseando a escolha no seu perfil de uso. Não existe “melhor” universal, mas existe o melhor para você.
- Cenário 1: O Gamer Competitivo ou “Heavy User”
Se você joga FPS, MOBA ou digita o dia todo e odeia a sensação de teclas escorregadias/sujas, vá de PBT Double-shot. A textura extra ajuda na precisão e o teclado parecerá novo por muito mais tempo. - Cenário 2: O Entusiasta de Estética (Custom Keyboards)
Se o seu foco é ter o teclado mais bonito do Instagram, com cores específicas e design exclusivo, você provavelmente acabará comprando ABS Premium (como GMK). Eles brilharão com o tempo? Sim. Mas as cores e a nitidez das lendas são inigualáveis. - Cenário 3: O Digitador/Programador (Foco em Conforto)
Para quem passa 8 horas por dia codando ou escrevendo, o som e o toque do PBT são muito mais gratificantes. O som mais grave (“thock”) é menos irritante em ambientes de escritório.
Dica Rápida na Hora da Compra: Procure sempre pelos termos “PBT” e “Double-shot” na descrição do produto. Se a descrição não menciona o material, 99% de chance de ser ABS simples.
FAQ: Dúvidas Comuns sobre Materiais de Keycaps
Abaixo, respondo às perguntas que mais recebo de quem está começando a customizar seus teclados.
Por que minhas teclas ficam oleosas tão rápido?
Na verdade, na maioria das vezes não é apenas óleo. Se suas teclas são de ABS, o plástico está sendo polido pelo atrito dos seus dedos, removendo a textura original e deixando a superfície lisa e brilhante. Limpar ajuda na higiene, mas não remove o brilho do desgaste físico.
Keycaps PBT funcionam em qualquer teclado mecânico?
Na maioria, sim, desde que usem switches estilo Cherry MX (o formato de cruz +). O maior problema costuma ser a “fileira inferior” (bottom row). Teclados de marcas como Corsair e Razer antigos usam tamanhos não-padrão para a barra de espaço e teclas CTRL/ALT. Verifique se seu teclado tem “layout padrão” (standard bottom row) antes de comprar.
Vale a pena pagar mais caro por PBT Double-shot?
Sim. O PBT Double-shot combina a durabilidade do material com legendas que nunca se apagam. É um investimento único: você compra um set bom hoje e ele provavelmente durará mais que o próprio teclado.
Como limpar keycaps ABS sem danificar?
Use apenas água morna e detergente neutro. Nunca use álcool isopropílico ou produtos abrasivos em keycaps ABS, pois eles podem reagir quimicamente com o plástico, manchando ou até derretendo a superfície.
Veredito Final
Lembra daquela frustração inicial de ver seu teclado caro parecendo “engordurado” e desgastado após poucos meses de uso? A resposta para esse problema não está em produtos de limpeza mais fortes, mas sim na química do material que você escolhe. Mudar para keycaps PBT é a solução definitiva para eliminar aquele “efeito espelho” permanente nas teclas WASD e na barra de espaço.
No entanto, não existe um vilão absoluto. O ABS ainda tem seu lugar no coração dos colecionadores que buscam as cores vibrantes dos sets GMK e não se importam com o polimento natural do uso. Mas para a grande maioria dos usuários que buscam durabilidade, higiene visual e uma digitação consistente, o caminho é claro.
Se você quer renovar a sensação do seu setup hoje, leve estes três pontos essenciais em consideração:
- Adeus ao Brilho Oleoso: Se você detesta a sensação de teclas escorregadias, o PBT é a escolha obrigatória. Ele manterá a textura fosca e seca por toda a vida útil do periférico.
- Perfil Sonoro: A densidade do material altera a acústica. Escolha PBT para um som mais grave, profundo e sólido (“thock”) ou ABS para um som mais agudo e estalado (“clack”).
- Custo-Benefício a Longo Prazo: Um bom conjunto de keycaps Double-shot sobrevive a múltiplos teclados. É um upgrade que você leva consigo, transformando um teclado de entrada em algo que parece e soa premium.
Não deixe que teclas desgastadas diminuam sua experiência de uso diário. Verifique as especificações do seu próximo teclado ou invista em um kit de keycaps PBT agora mesmo para sentir — literalmente — a diferença na ponta dos dedos.
Transparência Editorial: Este artigo foi produzido com base em análises técnicas. Não possuímos vínculo com fabricantes. As especificações podem mudar.

Dalton Treviso é a assinatura editorial do Optemil dedicada a análises técnicas de hardware, periféricos e ergonomia. Por trás de cada guia está a supervisão de Wagner Carvalho, desenvolvedor de software que testa cada componente e método de manutenção sob condições reais de uso intensivo. Sem promessas teóricas: apenas a experiência prática de quem entende que a produtividade começa em um setup bem configurado. Saiba mais sobre nossa curadoria na página /about-us.


