Fim de expediente. O pulso direito latejava de novo. Era aquela dor familiar, um incômodo que começa sutil pela manhã e, depois de oito horas arrastando um mouse convencional pela mesa, se transforma numa pontada aguda e insistente. Se você passa o dia em frente a uma tela, provavelmente sabe exatamente do que estou falando.
Essa frustração diária me levou a pesquisar e descobrir que eu não estava sozinho — muito pelo contrário. A queixa sobre dores e o diagnóstico de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) são assustadoramente comuns entre profissionais que dependem do computador. Foi essa busca por uma solução que me fez considerar algo que parece contraintuitivo: um mouse que não se move.
A grande questão era: um mouse ergonômico trackball vale a pena testar ou é apenas um gadget caro e com uma adaptação frustrante? Para tirar a prova, mergulhei de cabeça e usei o Logitech MX Ergo como meu único mouse de trabalho por mais de 30 dias. Neste review completo, vou detalhar cada passo dessa jornada, desde a estranheza inicial até os ganhos reais em conforto, para te ajudar a decidir se este investimento faz sentido para você.
Unboxing e Primeiras Impressões: Peso e Construção Surpreendem
A expectativa era alta, e a embalagem sóbria e compacta da Logitech já dava um indício da qualidade do produto. Ao contrário de muitos periféricos que vêm em plásticos frágeis, a experiência de unboxing do MX Ergo foi, no mínimo, satisfatória. Tudo é encaixado de forma precisa, com uma sensação de produto premium desde o primeiro momento.
A primeira coisa que me surpreendeu, antes mesmo de tocar no mouse, foi o seu peso. Ele é substancialmente mais pesado que qualquer mouse que já usei. Ao pegá-lo, a razão fica clara: uma sólida placa de metal na base garante que ele não saia do lugar. Essa placa não é apenas um peso; ela é funcional, permitindo a inclinação magnética que é uma das joias da coroa deste produto.
O corpo do mouse é revestido com um material emborrachado, macio ao toque (soft-touch), que proporciona uma aderência firme e confortável. A sensação é de que a mão abraça o dispositivo. A esfera vermelha da trackball, lisa e com um brilho sutil, se move com uma fluidez impressionante sob o polegar, quase como se flutuasse em seu encaixe.
Dentro da caixa, encontramos o essencial, sem exageros:
- O mouse MX Ergo;
- A placa de metal para ajuste de inclinação (já acoplada magneticamente);
- Um receptor USB Logi Bolt, minúsculo e moderno;
- Um cabo de carregamento USB-A para USB-C;
- A documentação básica.
O primeiro contato foi uma mistura de estranheza e curiosidade. Acostumado a deslizar o mouse, manter o pulso parado e comandar tudo com o polegar parecia uma tarefa que meu cérebro precisaria reaprender do zero. Mas a construção robusta e a ergonomia evidente me deram a confiança de que a jornada de adaptação, que detalho a seguir, valeria a pena.
Veredito Final
Lembra daquela dor insistente no pulso, a companheira indesejada do fim de expediente? Posso dizer com alívio que ela se tornou uma memória distante. Após mais de 30 dias com o Logitech MX Ergo, a resposta à pergunta que iniciou esta jornada é um retumbante sim: um mouse ergonômico trackball não só vale a pena testar, como pode ser a solução que você procurava. A transição de “arrastar” o mouse para controlar o cursor com o polegar simplesmente atacou a causa raiz do meu desconforto.
Para quem ainda está em cima do muro, resumo a experiência em três pontos cruciais:
- O alívio do desconforto foi real e duradouro. A promessa de ergonomia não é apenas marketing. Manter o braço e o pulso em uma posição mais neutra, na minha experiência, reduziu drasticamente a tensão muscular. O incômodo constante diminuiu e o conforto se tornou o novo padrão no meu dia a dia de trabalho.
- A curva de aprendizado existe, mas é mais curta do que parece. Os primeiros dias são estranhos e algumas tarefas podem parecer desajeitadas. No entanto, o cérebro se adapta rapidamente. Em menos de uma semana, o movimento se torna natural e, para muitas tarefas, até mais preciso que antes.
- É um investimento em bem-estar, não apenas um periférico. O preço do MX Ergo é superior ao de um mouse comum, mas seu valor não está em especificações para jogos. O retorno sobre o investimento é medido em dias de trabalho sem dor, em foco recuperado e em ajudar a prevenir o desconforto gerado por esforço repetitivo.
Se você se identificou com o cenário de dor e frustração do início deste artigo e está disposto a dedicar alguns dias para reaprender um hábito, o Logitech MX Ergo é, sem dúvida, um dos upgrades mais impactantes que você pode fazer na sua estação de trabalho. Não é apenas um novo mouse; é uma ferramenta de bem-estar para a sua vida profissional.
Transparência Editorial: Este artigo foi produzido com base em análises técnicas. Não possuímos vínculo com fabricantes. As especificações podem mudar.

Wagner Carvalho é a assinatura editorial do Optemil dedicada a análises técnicas de hardware, periféricos e ergonomia. Desenvolvedor de software que testa cada componente e método de manutenção sob condições reais de uso intensivo. Sem promessas teóricas: apenas a experiência prática de quem entende que a produtividade começa em um setup bem configurado. Saiba mais sobre nossa curadoria na página /about-us.



